sábado, 23 de julho de 2011

[Poesia] Plena Mulher - Pablo Neruda



Plena Mulher

Plena mulher, maçã carnal,
lua quente, espesso aroma de algas,
lodo e luz pisados, que obscura claridade
se abre entre tuas pernas? 

Que antiga noite o homem toca com seus sentidos?
Ai, amar é uma viagem com água e com estrelas, 
com ar opresso e bruscas tempestades de farinha:

Amar é um combate de relâmpagos e dois corpos
por um só mel derrotados.
Beijo a beijo percorro teu pequeno infinito, 
tuas margens, teus rios, teus povoados pequenos, 

E o fogo genital transformado em delícia 
corre pelos tênues caminhos do sangue 
até precipitar-se como um cravo noturno, 
até ser e não ser senão na sombra de um raio.
Marcela Oliveira Web Developer

Um comentário:

Vicky Doretto disse...

É... a mulher é plena. E intensa... (:
Bjão =^.^=